Mensagens da presidência

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O mundo entrou numa era em que não só a população cresce em volume, como também o seu grau de consumo de recursos. Mais desenvolvimento, mais prosperidade e maior esperança média de vida global significa também maior necessidade de serviços hospitalares, transportes públicos e energia fiável. Ou seja, mais energia a ser utilizada em maior quantidade por pessoa e por mais pessoas no planeta Terra.

Com 9 biliões de pessoas em 2050, as previsões de diversas entidades internacionais – como a Agência Internacional de Energia (AIE) – apontam para um aumento do consumo energético em mais 50% por volta dessa data, com mais de 70 milhões de seres humanos a mudarem-se para as cidades a cada ano que passa.

Aliás, a AIE prevê já um aumento de 20% de utilização de energia para 2020, com a maior parte do crescimento a provir dos países não-pertencentes à OCDE. Este aumento é equivalente a adicionar mais um país equivalente à China ao sistema energético mundial (país que é atualmente o maior importador de petróleo global).

Para responder a este choque de procura global, os avanços tecnológicos na exploração e produção de petróleo e gás ocorridos na última década foram tremendos, viabilizando recursos de hidrocarbonetos localizados em ambientes extremos, como as águas ultra-profundas (7 km de profundidade) do pré-sal brasileiro e mesmo recursos não-convencionais (como o shale gas e o shale oil).

É neste contexto desafiante e competitivo que a Galp Energia avança com a iniciativa, em conjunto com as Universidades Portuguesas, da criação do ISPG – Instituto do Petróleo e Gás, Associação para a Investigação e Formação Avançada.

O ISPG pretende-se afirmar-se como a plataforma de referência para a cooperação científica e tecnológica para uma indústria petrolífera sustentável no espaço lusófono. O ISPG visa desenvolver projetos de investigação e formação avançada e competências diferenciadoras no sector do Petróleo e Gás, bem como contribuir para a consolidação e desenvolvimento do conhecimento e tecnologia em países lusófonos que sejam aplicáveis ao sector do Petróleo e Gás, com capacidade de competir à escala da economia global.

O ISPG é uma iniciativa de investigação industrial aberta à participação de universidades e de entidades científicas e tecnológicas da comunidade de países lusófonos, cujos recursos de hidrocarbonetos desempenharão um papel estratégico na segurança energética global. Ainda na presente década, o Brasil será um dos 10 maiores produtores de petróleo, Angola consolidar-se-á como o 2º maior produtor da África Ocidental e Moçambique tornar-se-á o «Qatar» da África Oriental.

Este é mais do que um momento excelente para os povos lusófonos desenvolverem em conjunto os seus talentos e inteligência num dos sectores mais geoestratégicos da economia global: o do petróleo e gás.

É «o momento».

Américo Amorim

(1.º Presidente da Direção do ISPG, de 2013 a 2016)

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